A era dos hipercarros: Enzo Ferrari

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Ano de produção: 2002-2005 (400 unidades)

Preço: US$ 650,000 (lançamento) / US$ 900,000 – 1,300,000 (hoje)

Motor: central-traseiro, longitudinal, 12 cilindros em V a 65º, naturalmente aspirado, duplo comando no cabeçote, 4 válvulas por cilindro, comando variável de válvulas. Cilindrada: 5998 cm3. Diâmetro x curso: 92 x 75,2 mm. Taxa de compressão: 11,2:1. Injeção: multiponto. Potência máxima: 660 cv a 7800 rpm. Potência específica: 110 cv/L. Torque máximo: 67 m.kgf a 5500 rpm. Rotação máxima: 8200 rpm.

Câmbio: manual de 6 marchas com embreagem automatizada; tração traseira.

Peso: 1365 kg (peso/potência: 2,07 kg/cv).

Desempenho: 0-100 km/h: 3,6s ; 0-200 km/h: 9,5s; velocidade máxima: 355 km/h.

Tempo em Nordschleife: 7:25.21 (não-oficial).

Muito provavelmente seja o hipercarro mais lembrado desta época. É difícil você imaginar algum carro hoje ultrapassar a Enzo, imagine há 10 anos. Esse carro ganhou meu respeito da mesma forma que o Darth Vader: ele me passou medo. Eu tinha medo de olhar pra ela. Visual extremamente agressivo, com o ronco do V12 tão assustador quanto o exterior. Diferente das Ferraris produzidas em série, esta não usa alumínio em sua estrutura, mas principalmente fibra de carbono. O carro é “seco” e o peso de 1365 kg prova isto. Pense num esportivo com peso de Jetta TSI (ou o da atual 458 Speciale) com motor V12 e 660 cv atrás. Reparem no tempo de 100-200 km/h. Incrível, não?

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Ela se enquadra como um Halo Car F, o carro-vitrine da Ferrari. Quando o chefão da Ferrari, Luca di Montezemolo, chegou à empresa, carros como a 288 GTO e a mítica F40, em homenagem aos 40 anos da marca, já existiam. Aliás, Luca não disse explicitamente, mas ele achava uma “vergonha” a Ferrari produzir carros pouco práticos e que seus donos raramente as usassem. Ainda nesta época, a F50, que comemoraria os 50 anos da marca, já estava em esboço, visto o sucesso absoluto da F40. A F50 significava para a Ferrari o espelho da Fórmula 1 voltado para as ruas, ou seja, era para ser um carro de F1 que pudesse andar nas ruas. Não vou me delongar listando os erros que a F50 tinha como carro, todos apontados pelo Luca, diga-se de passagem, mas é neste cenário de carro mais “dócil” e com tecnologia de F1 que o projeto FX surgiu. 1º. o carro devia ter um design impressionante e relação direta com a F1; 2º. o carro deveria ter a melhor tecnologia já vista, logo, oriunda da F1; e 3º. o carro devia ser uma celebração do sucesso da Ferrari nas pistas de F1. E daí veio esse carro pontiagudo com estrutura em fibra de carbono, motor (embora não fosse V10, mas outras características dele), câmbio, freios e aerodinâmica todos derivados do know-how das pistas de corrida. E recebeu o nome do Criador, e não comemoração aos 60 anos, como alguns ainda arriscam. O carro não se chama F60. Outro ponto, em 2007 tivemos a 612 Scaglietti ‘Sessanta’ para comemorar a data.

Não é difícil imaginar que a visão que me vem instantaneamente da Enzo é de ser um carro de F1 para as ruas, que vinha até com regulagem de altura e amortecedores ajustáveis. Consegue se imaginar dentro de uma? Com luzes indicando a troca de marcha, a quantidade de botões no volante (primórdio do manettino) e o interior extremamente funcional… Não é de se esperar que você se sinta o próprio Michael Schumacher em 2002, que por sinal ajudou no projeto do carro. Ela envelheceu bem. Seu motor F140 não compartilha nada com o Dino V12, muito menos com a F50. Na verdade inaugurou uma nova era de V12s dentro dos carros de rua, a começar pela 599 GTB Fiorano, e que continua até hoje, muito embora alterações importantes tenham sido feitas ao longo dos anos.

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Mas isto foi há 10 anos. O que me lembra a Enzo hoje, além de F1 e Darth Vader com roupa vermelha do capeta? “PlayStation”, como disse um colecionador de exóticos e proprietário de uma Enzo. Ele acertou em cheio. O carro era muito avançado em tecnologia há 10 anos, tão avançado que hoje sua parafernália eletrônica o acaba afastando de alguns puristas chatos, o que aumenta ainda mais o interesse pela F40 e até mesmo pela subestimada F50. Particularmente, acho interessante pontuar uma outra coisa: a McLaren F1 (1992-1998), um supercarro com um motor V12 com mais de 600 cv e também muito leve, no entanto, mais rápido e mais veloz (recordista mundial de 1998 a 2005) do que a Enzo. A “meta oficial” de Luca nunca foi fazer o carro mais veloz do mundo, mas um gostinho amargo de não ter superado a McLaren, lembrando da competição acirrada entre as duas nas corridas de F1, ele deve ter ficado! Será que com a LaFerrari o Luca vai empatar o placar (1×1) contra a McLaren e sua feroz P1? Não me surpreenderia se a LaFerrari passasse a se chamar Ferrari Luca.

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