A era dos hipercarros: Mercedes-Benz SLR McLaren

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Ano de produção: 2003-2010 (em torno de 2000 unidades)

Preço: US$ 452,000 (lançamento) / US$ 220,000 – 600,000 (hoje)

Motor: central-dianteiro, longitudinal, 8 cilindros em V a 90º, compressor mecânico do tipo “parafuso”, comando único no cabeçote, 3 válvulas por cilindro. Cilindrada: 5439 cm3. Diâmetro x curso: 97 x 92 mm. Taxa de compressão: 8,8:1. Injeção: multiponto. Potência máxima: 626 cv a 6500 rpm. Potência específica: 115 cv/L. Torque máximo: 80 m.kgf a 3250-5000 rpm. Rotação máxima: 7000 rpm.

Câmbio: automático de 5 marchas; tração traseira.

Peso: 1768 kg (peso/potência: 2,82 kg/cv).

Desempenho: 0-100 km/h: 3,8s ; 0-200 km/h: 10,6s; velocidade máxima: 334 km/h.

Tempo em Nordschleife: 7:40.0 (não-oficial).

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A Mercedes-Benz também teve sua entrada triunfal no novo milênio ao mostrar em 1999 o conceito Vision SLR, antes dos demais até. Se você achou a Enzo muito bicuda, a SLR não fica atrás. Já cansei de ouvir pessoas criticando o design do carro. Você pode até achá-lo feio, mas ele tem uma história bem gloriosa por trás. Estamos em 1954 e 1955 na F1 e a equipe Mercedes corria com seu monoposto W196, que recebia o já famoso apelido de “Flecha de Prata” pela imprensa alemã. Imagine um carro de corrida ser derivado de um F1. Hoje isto parece muito audacioso, naquela época a Mercedes deu a ele o nome de 300 SLR. Confuso era imaginar que no mesmo ano a marca possuía seu esportivo de rua 300SL “Gullwing” e que não havia relação alguma entre o carro de corrida 300 SLR e a Asa-de-Gaivota. Esta possuía um seis-em-linha e pouco mais de 210 cv com um peso abaixo de 1100 kg. Até hoje uma relação muito saudável, não? Pois a SLR possuía um oito-em-linha derivado do monoposto de F1 com mais de 300 cv e menos de 900 kg! Claro que nas corridas foi bem sucedida.

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A 300 SLR possuía motor central-dianteiro de 8 cilindros e, apesar do capô imenso, você deve ter percebido que não se assemelha muito à SLR McLaren. O design dela foi inspirado na pouco mais recente SLR Uhlenhaut Coupé, projeto que mesclava o 300 SLR com o visual da SL de rua (recebendo as portas de gaivota) e possuía até as saídas dos escapamentos nas laterais. Não apenas o design, a ideia de um carro de rua que fosse derivado de um monoposto de corrida veio à tona com o conceito Vision. Nesta época a Mercedes estava em parceria na F1 com a McLaren e daí surgiu o nosso esportivo com mãe alemã e pai inglês. Mas desta vez o carro não fugiu dos modelos de rua, recebendo não um motor de F1, mas uma versão baseada no V8 que equipava o SL55 AMG da época. As portas de Asa-de-Gaivota também não vieram, usando o conceito de articulação na coluna A, como no CLK-GTR. Mesmo assim, o carro era “Prata” e com o motor de 626 cv e 80 kgfm também uma “Flecha”.

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Como hipercarro a SLR pode ser classificada sim, a meu ver. Potência extraordinária e produção limitada como critérios ela tem. O que peca é realmente o projeto de GT do carro, com motor central-dianteiro, câmbio automático e um peso consideravelmente maior do que os rivais, apesar de uso de fibra de carbono composta em sua construção. A mãe Mercedes trouxe um carro gorducho e impregnado com suas características. A McLaren foi o padrasto, um militar rigoroso que tentou colocar o mimado no rumo certo. Acabou não sendo perfeito em nenhum dos extremos, erro que a BMW cometeu também no roadster Z8. Por outro lado, compreenda que a SLR McLaren nada mais era que um carro que se poderia usar no dia-a-dia, coisa que o Luca jurava que a Enzo também dava conta. Deixe no modo automático e o motor de caminhão consegue acompanhar mesmo assim os rivais da época. Em 2007 veio a SLR Roadster, conversível e ainda mantendo as portas inusitadas graças à articulação diferente (a atual SLS Roadster não teve a mesma sorte). O roadster fazia mais sentido dentro da proposta, muito embora eu prefira o visual tradicional de flecha prateada que a cupê impõe.

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Como projeto a SLR McLaren nunca levaria o prêmio de maior hipercarro desta época. A mãe tentou melhorar o carro como podia, seja fazendo a Roadster, seja aumentando a potência do carro com a 722 Edition (passando para 650 cv), cujo nome também tem uma história interessante e que se você não sabe pode procurar. Chegou a até apelar com a belíssima e limitada a 75 unidades SLR Stirling Moss, uma adaptação para o original 300 SLR, que não possuía teto nem para-brisas. Até a McLaren deu uma fuçada no fim da vida do carro, aprimorando suspensão, câmbio e o que mais pudesse. O bacana do carro é que não se valorizou tanto quanto se poderia esperar e ter uma hoje não é uma realidade tão distante quanto ter uma Enzo. Você teria uma? O conceito de hipercarro com traços de GT ainda persiste. A Ferrari produz a F12berlinetta e graças à tecnologia de hoje ela consegue se virar bem como supercarro, coisa que a SLR não. Mas a Ferrari é produzida em série. No cenário dos hipercarros atuais o Aston Martin One-77 se encaixa melhor, repetindo até os mesmos erros da SLR.

SLR Gruppe

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