A era dos hipercarros: Porsche Carrera GT

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Ano de produção: 2004-2007 (1270 unidades)

Preço: US$ 440,000 (lançamento) / US$ 270,000 – 460,000 (hoje)

Motor: central-traseiro, longitudinal, 10 cilindros em V a 68º, naturalmente aspirado, duplo comando no cabeçote, 4 válvulas por cilindro, comando variável de válvulas. Cilindrada: 5733 cm3. Diâmetro x curso: 98 x 76 mm. Taxa de compressão: 12,0:1. Injeção: multiponto. Potência máxima: 612 cv a 8000 rpm. Potência específica: 107 cv/L. Torque máximo: 60 m.kgf a 5750 rpm. Rotação máxima: 8400 rpm.

Câmbio: manual de 6 marchas; tração traseira.

Peso: 1380 kg (peso/potência: 2,25 kg/cv).

Desempenho: 0-100 km/h: 3,9s ; 0-200 km/h: 9,9s; velocidade máxima: 330 km/h.

Tempo em Nordschleife: 7:28.71 (não-oficial).

Com a virada do milênio, a Porsche apresentou em 2000 um conceito de supercarro em forma de roadster de 2 lugares com um inédito motor V10, configuração disponível na época somente no Dodge Viper e extremamente inusitada para um Porsche de rua. Outra novidade era o uso de materiais nobres: carroceria em fibra de carbono (CFRP), freios de cerâmica e rodas forjadas em magnésio. Na verdade, supercarro a Porsche já havia feito o famoso 959 e o 911 GT1 Straßenversion, para fins de homologação em corridas. Mesmo estes grandes projetos que têm vaga relação com o clássico 911 da marca, alguns traços característicos de Porsche eles possuíam, especialmente o motor boxer de 6 cilindros. Quanto ao Carrera GT… Nada! Tirando o volante e outras coisas do interior que remetem ao 911 da época (em sua geração 996) e pouquíssimo do exterior. Não me surpreende alguns leigos arriscarem que o “Projeto 980”, como era chamado, foi roubado da rival Ferrari! Até os mais anti-Porscheiros do mundo (lê-se Ferraristas) sabem o que “foi” o Carrera GT e que deve ser admirado.

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Muitos fãs de carro, e me incluo aqui, consideram o Carrera GT o seu supercarro favorito. Boa parcela disto vem da combinação design e motor V10. Acostumados com o ronco borbulhante de um V8 “americano”, o ronco de moto de um V8 “de corrida” ou com o ronco estridente de um V12, o motor V10 assobia e canta. Alguns ousam criticar que por dentro não é a mesma coisa do que a sensação orgásmica de se ouvir o carro por fora (nada que um escapamento diferente não faça), mas esse V10 é uma obra-prima! Sua história na verdade remete a um interesse da Porsche em usar motor V10 nas corridas de Le Mans, tendo até feito um protótipo, mas que no final acabou sendo guardado na gaveta. Sorte a nossa que em 2000 o conceito do Carrera GT veio e o “usou”, como um último suspiro. Já pensou o Carrera GT com outra configuração de motor? Muito provavelmente ele não teria atingido o impacto e o respeito de hoje sem o V10. Nem o design teria salvo.

Engraçado como eu via o Carrera GT naquela época: uma mocinha arredondada, que gostava de rebolar (lê-se destracionar) e gemer roncar alto. Se ele fosse um balão a Enzo o teria furado com seu nariz pontiagudo de F1. Comparações entre esses dois são inevitáveis. Como já comentei, a Ferrari queria trazer o carro de F1 para as ruas, recheado de tecnologia. O Carrera GT não era nada artesanal, claro, mas um carro muito mais analógico, simbolizado pelo câmbio mecânico de 6 marchas (com manopla em madeira que remete ao clássico 917) e a facilidade em destracionar. Talvez por isto seus números de aceleração, especialmente o 0-100 km/h, não sejam tão elevados. Na verdade, a Enzo tinha uma vantagem na ficha técnica com uma boa folga. Como se não bastasse, a Lamborghini Murciélago e a Mercedes-Benz SLR McLaren também existiram nesta época. Mas esqueça esta briguinha de Super Trunfo e escolha algum para dirigir. Qual seria? Aposto que o Carrera GT.

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Existe alguma crítica ao carro? Eu tenho duas “bobas”. A primeira é com relação às 1270 unidades produzidas. Isto para um hipercarro é muito. Se você somar Enzo Ferrari, Pagani Zonda e McLaren F1 produzidos não dará isto. Ou pior, carros como os 997s GT3 RS 4.0 e GT2 RS são mais raros. A segunda vai com relação ao lançamento do conceito e da versão final separados por 3 anos. Se você não me entendeu ainda, lembra-se que o 918 Spyder já existia em conceito há alguns anos? A surpresa do carro veio apenas com a ficha técnica alterada (assim como o Carrera GT). Se lembra da LaFerrari e da McLaren P1 lançarem conceitos e colocarem jornalistas para andar no carro ainda em desenvolvimento? Nem os mais fiéis colecionadores de Ferrari, aqueles que já compraram o carro antes, puderam vê-la antes da semana de lançamento. Existe uma certa graça em permanecer em mistério, não? Como veremos depois, o 918 Spyder tem mais em comum do que se parece com o Carrera GT.

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