A era dos hipercarros: Pagani Zonda

Sem Título

Ano de produção: 1999-2013 (+200 unidades)

Preço: EUR 600,000 – 2,200,000 (lançamento) / EUR 600,000 – 2,500,000 (hoje)

Motor: central-traseiro, longitudinal, 12 cilindros em V a 60º, naturalmente aspirado, duplo comando no cabeçote, 4 válvulas por cilindro. Cilindrada: 7291 cm3. Diâmetro x curso: 91,5 x 92,4 mm. Taxa de compressão: 10:1. Injeção: multiponto. Potência máxima: 650 cv a 6200 rpm. Potência específica: 89 cv/L. Torque máximo: 79,6 m.kgf a 4000 rpm. Rotação máxima: 7000 rpm.

Câmbio: manual de 6 marchas; tração traseira.

Peso: em torno de 1350 kg (peso/potência: 2,07 kg/cv).

Desempenho: 0-100 km/h: 3,6s ; 0-200 km/h: 9,8s; velocidade máxima: +345 km/h.

Tempo em Nordschleife: 7:24.65 (não-oficial).

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Conhecer a história dos carros da Pagani é conhecer a história do Horacio, o homem por trás de tudo. Esse argentino, cuja mãe era pintora e pai padeiro, desde cedo demonstrou interesse por construir e modelar. A busca pela forma, pelo modo artesanal, por sentir e tocar os objetos. E o que isso tem a ver com o Zonda? Simplesmente tudo. Ainda não pegou a ideia? Horacio alguns anos antes de criar o projeto que veio a ser o Zonda, trabalhava com materiais compósitos dentro da Lamborghini. Ele precisava comprar um autoclave para realizar seu trabalho e recebeu como resposta “Se a Ferrari não tem autoclave para seus esportivos, por que nós teríamos?”. No dia seguinte Horacio foi ao banco, pegou um empréstimo e comprou o autoclave por conta própria, levando o comprovante para o diretor da Lamborghini, o qual não recebeu a notícia muito bem. Nesta época a Lamborghini era uma empresa que fazia seus esportivos artesanalmente. Esta paixão italiana pela fabricação artesanal e romântica é algo que tanto a Ferrari quanto a Lamborghini perderam ao longo desses anos, tendo sido incorporadas por grandes grupos automobilísticos. Horacio não é apenas um homem de visão inovadora, ele também é um artista no sentido de resgatar essa alma perdida nos esportivos.

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A história do “Fangio”, nome que era para ter sido o Zonda, remete ao grande piloto argentino de F1, Juan Manuel Fangio, considerado por alguns o maior de todos os tempos, tendo corrido e vencido pela Mercedes na época das “Flechas de Prata” que comentei em outro post.. Foi através de Fangio que o Sr. Pagani conseguiu o acesso ao motor Mercedes M120 (que equiparia algumas versões exclusivas AMG e o CLK-GTR), um V12 aspirado de 6,0 litros e quase 400 cv. Com a Mercedes fornecendo oficialmente, com toda a certeza, a ação foi cabal para a reação do público e da imprensa. “Se a Mercedes fornece motor para a Pagani, ruim o esportivo não pode ser”. Fangio morreu em 1995, quatro anos antes do lançamento do Zonda C12, nome oriundo de um vento na Argentina, mas ele incentivou e muito Pagani a construir seu próprio carro ao ver tamanha paixão e entusiasmo aquele homenzinho argentino tinha. “O esportivo deverá ser comunicativo, fácil de guiar, intuitivo e, acima de tudo, seguro”, dizia Fangio. E o Sr. Pagani traduziu muito bem isto com o C12 em 1999. E você, o que acha do Zonda?

Horacio diz que a inspiração maior do Zonda foram os carros de corrida de Le Mans, a emoção de ouvi-los rasgando as retas, a atenção aos detalhes da arte dos relógios Patek Phillipe e os jatos de caça, que simbolizavam a tecnologia, seu trabalho com materiais compósitos. Este é o tripé do Zonda: emoção, arte e tecnologia. Horacio compara seu trabalho de mesclar Arte com Ciência a Leonardo da Vinci, fonte de sua inspiração. Sinceramente, o C12 de 1999 não conseguiu me atrair tanto assim, apesar de ser o mesmo esboço de todos os Zondas. Agora o interior… Como Horacio diz sobre ele, é onde o dono passa a maior parte de seu tempo. O interior é como uma música, cada parte do carro canta para você individualmente e todo o conjunto se torna uma música. Pagani é muito romântico com suas descrições! Mas olhando hoje os frutos do Zonda, as 5 unidades fabricadas do C12 ficam apenas para ilustrar pois os modelos que vieram a seguir que realmente projetaram a Pagani no mundo. O C12 S tinha o que o carro precisava, mais umas “pinceladas” na carroceria e um fôlego no V12. Com o motor 7.0 vieram saudáveis 550 cv, mas toda esta potência vinha cedo e o corte era aos 6000 rpm.

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O modelo mais importante para a inserção da Pagani dentro da “jaula Ferrari, Lamborghini, Porsche e afins” foi o C12 S 7.3 em 2002, que agora girava a 7000 rpm e no primeiro episódio deste atual formato do Top Gear massacrou uma Murciélago 6.2 em linha reta e na pista. Se isto não é uma introdução triunfal ao carro eu não sei o que é. O mesmo carro utilizado no programa, foi depois adquirido por Harry Metcalfe, ex-dono da evo Magazine. Não há ninguém no mundo (além do Horacio) que saiba mais sobre o carro do que o Harry. Prestem bastante atenção ao vídeo acima. Reparem na atenção aos detalhes.

E o Zonda continuou a lançar atualizações. Pouco tempo depois veio o C12 S Roadster e, em 2005, a maior mudança até então: o Zonda F, em homenagem ao Fangio. Você facilmente nota a diferença pela traseira que agora contém uma terceira lanterna. Se você está à procura de um Pagani para comprar usado, este é o carro, de preferência procure a versão Clubsport com um pouco mais de potência (ficha técnica). Mas a partir disto a Pagani passou a lançar edições especiais uma atrás da outra. Alguns criticam que o Zonda foi “café requentado”. Talvez o Horacio tenha exagerado um pouco mesmo, o cara trabalhava na Lamborghini, aprendeu com eles o que é prolongar um produto. E não foi apenas com esta rival que Horacio aprendeu alguma coisa. Com a Ferrari ele repetiu com precisão a ideia da FXX e da 599XX ao apresentar em 2007 o Zonda R, uma versão exclusiva para circuitos com motor de CLK-GTR e 750 cv. Precisão porque você não pode usá-lo para competir oficialmente. Aliás, dizem que o ronco do carro é tão alto que em certos circuitos você é proibido de levá-lo. Mas em Nürburgring você pode e irá fazer uma volta em 6:47. 10 segundos mais rápido que o 918 Spyder. É pouco ainda? Compre o Revolución (800 cv), esse que tem o bonitão do Horacio ao lado.

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Se um Zonda F Clubsport é café requentado pequeno para você e um Zonda R é desnecessário, o Horacio fez como a Ferrari e inventou a 599 GTO dele: o Zonda Cinque. Limitado a 5 unidades (e 5 Cinque Roadsters depois), trata-se simplesmente de uma versão de rua do Zonda R. Na verdade ele é só um Zonda F mais forte, com uma ligeira redução de peso e inclusão de um câmbio automatizado de embreagem única que não é lá essas coisas. E muito mais caro. Mas o Cinque é maravilhoso e mereceu até a capa deste texto. Parece que alguns donos ainda acharam que o Cinque não satisfazia muito o ego e pediram suas versões exclusivas. Uma delas está no vídeo lá no meio, um tal Zonda 760RS, são 760 cv rodando lá no Chile. Lewis Hamilton pediu um desses cappuccinos sem ser requentado também, mas com câmbio mecânico.

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Pagani, depois de muito usar o forno pra requentar seu produto cozinhar no autoclave, chega ao fim de seu primeiro fruto. O sucessor Huayra, apesar de Horacio considerar que é apenas um novo projeto , tem uma “F40” para substituir. Como vimos com a F50, isto atrapalhou sua existência. Será que o Zonda vai atrapalhar o Huayra?

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