Sendo autodestrutivo: a bordo de um TVR Speed Six

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Hoje o post fica por conta de um amigo. Se eu fosse introduzi-lo seria de uma forma muito “horacio-paganesca”. Deixei por conta dele, que gosta de ser, como o carro que ele vai falar, autodestrutivo.

Meu nome é Ciro Muriel. Não sou jornalista, não me considero entusiasta mas gosto mais de carro que o cidadão comum. Em especial os esquisitos, esquecidos, as wagons e qualquer um que seja marrom. Minha relação com a TVR, como a de muitos ultimamente, começou com um Speed Twelve no videogame e partiu para os outros modelos. Ainda sonho em possuir um Tuscan LHD.

No vasto número de fabricantes independentes a TVR sempre foi uma das que se mantiveram no topo. E na lama. E de volta ao topo…

Fundada em 1947 por Trevor Wilkinson, alguns modelos foram construídos, algumas parcerias feitas, até seu modelo oficial de 1958, o TVR Grantura. Com ele vieram algumas versões (Vixen, Tuscan e Griffith), uma lista de motores ingleses e americanos debaixo do capô e notoriedade através de participações em corridas como LeMans e Sebring. Não foram vitoriosos mas mantiveram o nome da empresa nas mentes da época, algo que ela faria novamente de outras maneiras. Nessa configuração a TVR caiu em 1965. Foi para novos donos mas continuou fazendo o mesmo.

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Nos anos 70, já nas mãos de Martin Lilley, ela seguiu fazendo variações do modelo Tasmin, conhecidos como Wedges. Coupés e conversíveis novamente com vários motores entre quatro, seis e oito cilindros. Assim seguiu até a parte mais popular de sua história, comandada por Peter Wheeler.

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Wheeler iniciou uma era nova pra TVR, primeiramente no design, com a introdução do TVR Griffith e Chimaera. Fizeram sucesso, mesmo com motores Rover e Lucas nas entranhas. A segunda grande mudança veio quando a BMW comprou a Rover e Wheeler ficou com medo de uma interrupção no fornecimento de motores. Daí vieram os motores próprios da TVR. O AJP-V8 partiu para o Cerbera e o AJP-6, que seria destinado para a versão seis cilindros do Griffith. Mas esse projeto foi sendo alterado até se tornar o modelo mais famoso da marca: o TVR Tuscan.

O modelo representou mais uma mudança grande na direção no design, considerado ridículo polarizador. Com seus motores 3.6 e 4.0 fazendo respeitáveis 350HP e 390HP em seus leves 1,100kgs de fibra de vidro, o modelo apareceu em revistas, e filmes, geralmente com uma de suas cores camaleônicas disponíveis na configuração coupe e targa. Com sua potência, e aparência o Tuscan era um carro emocional. Quando funcionava.

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As características que o fizeram competitivo frente a esportivos do dobro do preço somado à atitude de Wheeler de considerar airbags, ABS, e controle de tração itens não pró mas contra segurança, fizeram o Tuscan ser particularmente difícil de controlar. As caracterísitcas eram partilhadas pelos outros modelos, mas os donos de Cerberas eram normalmente mais velhos sensatos.

O modelo foi atualizado levemente com motores mais potentes (4.0 400HP, e 4.2 420HP), mudanças na frente e traseira e no interior. Foi chamado de MkII apesar das diferenças não caracterizarem uma nova geração.

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O impacto do modelo foi tão grande que manteve a TVR viva e o modelo que deveria ser seu substituto, o tão insano Sagaris, não conseguiu interromper a produção do Tuscan. Talvez a decisão de partir para motores próprios e a queda nas vendas de carros esportivos tenha selado o futuro da TVR, que nem com o dinheiro russo trazido por Nikolai Smolensky em 2004 conseguiu salvar o Tuscan e a TVR. Se a volta da empresa, ensaiada duas vezes desde sua queda, realmente acontecer, é certo que o Tuscan ou um sucessor a altura deverão aparecer.

Ouça o straight-six da TVR em ação.

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Uma ideia sobre “Sendo autodestrutivo: a bordo de um TVR Speed Six

  1. Joel Gayeski

    Minha primeira lembrança da TVR é da época em que o Cerbera Speed Twelve foi lançado e era um monstro. Anos depois se falou em fabricar o Tuscan no Brasil, uma pena não ter se concretizado.
    Chegou a assistir Swordfish? Tem umas cenas muito boas com o Tuscan.

    Resposta

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